Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Flexiengodagem na Talagueira

Diz o meu amigo Camas que na barragem da Talagueira não é qualquer um que sabe pescar. Não querendo falar da complexidade das montagens, ele acaba sempre por referir a necessidade de uma engodagem austera e de muita precisão.

Mas vem o amigo Avenida que diz: «Isso é que era belo! Isto era válido para o pescado nacional. Não se esqueçam os confrades que a imigração de pimpões espanhóis alterou por completo o panorama piscatório nestas águas. O crescimento económico na vizinha Espanha e o excesso de recursos à disposição do pescador espanhol tiveram por consequência a sobrealimentação desta espécie, que nos vai obrigar à prática de uma engodagem forte e feio».

Prevendo o crescimento dos negócios, Cantos alia-se de imediato ao Avenida: «Efectivamente, ó Sr. Camas engodar é o que está a dar. Oiça bem, engodar é o que está a dar. Tenho aqui um engodo ibérico adequado ao modelo de desenvolvimento socio-piscatório peninsular, idealíssimo para as nossas águas. E lembro-lhe desde já que o engodo vendido pelo Argilas, proveniente dos países nórdicos, apenas garante resultados para pescado de olhos azuis e com nível de escolaridade acima do 12º ano».

Argilas, que se encontrava nas proximidades escutando atentamente, vendo em risco o escoamento da maciça importação de engodo dinamarquês, não se fica atrás: «Ó seu filho de uma grandessíssima boga, fique sabendo que o meu engodo foi testado por cientistas do MIT; eventuais inadaptações das papilas gustativas e do aparelho digestivo do peixe a este manjar são superadas num prazo curtíssimo. O peixe não come? Ora veja as minhas empregadas – há 4 meses que não comem outra coisa, há 3 meses com salários em atraso, e até já fazem uma lapdance a cada cliente que me compra uma cana de pesca».

O Lápis só disse: «Na Talagueira faço como na minha empresa: peixe que não pica é peixe que não come. E na geleira trago sempre uns peixes gato de reserva para furar greves e evitar a grade».

Silvares, aproveitando o momento de discórdia, arma-se em científico: «Acho que vocês não estão a entender o conceito de flexiengodagem. Não se trata de engodar muito ou pouco, nem de ser peixe latino, nórdico ou o raio que o valha. Já analisei quimicamente a composição desses engodos e decididamente só servem para encher a barriga do peixe. Pela módica quantia de € 150,00 / mês garanto-vos classificações óptimas em todos os concursos».

Ouve-se um coro: «Ó Silvares cm’é qu’é ???».

«Laxantes meus amigos, laxantes!!! É vê-los de diarreia, sempre a bulir, sempre a picar e sempre de barriguinha vazia. Pouco ordenado, pouca comida e muito trabalho. É o que faz o Adocicado nas empresas dele. Se funciona com o pessoal funciona com o peixe».

Vai daí o Riberalves, já a deitar fumo pelos parietais, não se contém: «Vocês o que querem é o meu pilim, que me custa tanto a ganhar. É sempre a mesma treta – flexi pr’aqui flexi pr’ali e quem se lixa com o trabalho e com a nota é sempre o mexilhão. Ora bolas pr’ó negócio, nós estamos a falar de água doce. Então quem se lixa é o pimpão».

E diz uma rês que tem bardo por aquelas bandas: « Ê tou farte desta tanga toda. Já nim’ deixim pastar im paz. Amêto lá ma bórra d’ dinamite qu’ aquela peicherada vai toda pó maneta».


O Pescador comunica que este texto é ficção; qualquer semelhança das personagens com pessoas da vida real é pura coincidência.

Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Saudades

É tempo de escrever algumas linhas para este blog. Sou preguiçoso. É uma chatice ter de escrever à frente de um PC. Decididamente para escritor é que eu não sirvo. As ideias surgem na tasca, com amigos e imperiais, com murros na mesa e com dúzias de gros mots. Com benfiquistas e sportinguistas, com PSD’s e PS’s, com barbeiros, taberneiros, pescadores e músicos.

Além disso hoje em dia é perigoso um professor apresentar publicamente as suas ideias e questões. Os blogs dos professores encontram-se sob escuta :-)

Foi esta foto da Mingus Dynasty que me motivou e me fez trazer à memória lembranças dos tempos em que estudei na capital.


Mingus Dynasty no Cascais Jazz 82
Foto: O Pescador

Que me fez ter saudades do início dos anos 80. Dos tempos em que podia fotografar músicos de jazz. Aqueles músicos que não se incomodavam com os clicks, que não pensavam que as fotos iam seu utilizadas com fins comerciais e que não se importavam de partilhar aqueles recantozinhos do palco com o público.

Dos tempos em que percorria a qualquer hora qualquer rua da cidade, das artérias principais às vielas dos bairros de má fama, sem me preocupar com quem quer que fosse. Em que a noite lisboeta pertencia a todos.

Os tempos em que a riqueza era gerada pela produção e não pela especulação imobiliária e financeira e pela compra, desmembramento e venda de empresas; pela produção e não pela actividade parasitária em que hoje se transformou a distribuição.

Tenho saudades dos tempos em que podíamos chamar alegre e livremente bochechas ao Dr. Mário Soares, ministro do betão ao Eng.º Ferreira do Amaral e, nas discussões mais encarniçadas, urso branco da Sibéria ao Dr. Álvaro Cunhal. Em que a política ainda tinha o seu quê de idealismo, de altruísmo, uma coisinha ainda que pequenina de zelar pelos interesses e bem-estar dos demais.

Em que a educação, a saúde e a protecção social, se sobrepunham a formalismos, às aparências e ao manual de etiqueta e boas maneiras da Sr.ª Paula Bobone. Em que o bem-fazer valia mais que o bem-parecer.

Hoje … Quanto o lamento!
Mas quero também dizer de um feliz evento. Esta semana tirei da prateleira Porgy & Bess, resultado da colaboração de Miles Davis e Gil Evans nos meses de Julho e Agosto de 1958. A masterpiece.


Foto: Roy De Carava


Foto: Don Hunstein

Para os mais esquecidos e os menos atentos, tornem a ouvir o trabalho de Philly Joe Jones no tema gone, de Jimmy Cobb em there’s a boat that’s leaving soon for New York, o tema it ain’t necessarily so e a versão suprema de summertime.

Recomendado pelo Pescador e muitos mais!

Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Vícios

Hoje foi dia de subsídio de férias. Uauuuuuuuuuu. Mas ...
Pensava que estava curado. Tive uma recaída. As reuniões nos CDs Anónimos não surtiram efeito. Já foram umas quantas encomendas para a Amazon e para a FNAC. Não sei que fazer.
Acho que vou até à tasca da Ti Lurdes falar sobre este meu problema com o taberneiro David.

Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

Salamanca, 2006


Vitral, na cidade de Salamanca.

Foto: O Pescador

Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Disco do mês

O Pescador comprou, ouviu e recomenda Brilliant Corners - a música de Thelonious Monk pela orquestra de Bill Holman.

Gravado em 11 e 12 de Fevereiro de 1997, em Hollywood, CA, este CD apresenta-nos uma selecção de temas de Thelonious Monk que deslumbram ainda mais pelos belíssimos arranjos de Bill Holman.





Fotos de Bill Holman por William Claxton

Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

Quotes #1 #2

Music is an addiction.
Miles Davis


When the rhythm section ain't makin' it, go for yourself.
Ben Webster

Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

Árvores de Luz





Fotos: O Pescador

Segunda-feira, 4 de Junho de 2007