Sábado, 31 de Maio de 2008

Mingus Dynasty - 1982

Fotografias de uma grande noite no Cascais Jazz, a 6 de Novembro de 1982.

Grande pela qualidade da música com que a Mingus Dynasty nos presenteou! Não pela duração da noite, entenda-se!

O Pescador esteve lá com rapaziada de Cebolais de Cima e de Retaxo, que em ocasiões destas até se esquecem que são inimigos figadais.


Ricky Ford


Johnny Coles (1926-1997)


Jimmy Knepper (1927-2003)


Sir Roland Hanna (1932-2002)


Joe Chambers


Jimmy Knepper & Ricky Ford & Johnny Coles

Fotos da Mingus Dynasty pelo Pescador


O contrabaixista de serviço, que resolveu fugir das fotografias, ou esconder-se bem escondido,era o Sr. Reggie Johnson.

Domingo, 25 de Maio de 2008

Sir Roland Hanna (1932-2002)

Imagine-se num dos mais negros pesadelos: o Malato fazendo ameaças, “eu não vou sair do seu sono enquanto não me disser o que têm em comum Roland Hanna, Schubert e Irina Ionesco”.

Tranquilize-se. O Pescador está aqui para ajudar.

Trata-se do CD Après un rêve de Sir Roland Hanna (1932-2002), onde este pianista nos apresenta versões jazzísticas de composições de Schubert, Fauré, Mozart e Mahler, entre outros. A fotografia é da Dona Ionesco. Até de olhos fechados reconhecemos o seu trabalho.


Foto: Irina Ionesco

tilidom.com
Après un rêve

E não pensem que o Sir é brincadeira. Não é, não senhor! Foi armado cavaleiro em 1970 por William Tubman, presidente da Libéria, em reconhecimento pela sua angariação de fundos destinados às crianças daquele país.

Roland Hanna pertenceu à brilhante geração de pianistas de Detroit, com Barry Harris, Tommy Flanagan e Hank Jones. Guardo gratas recordações da sua música no New York Jazz Quartet (lembram-se do blues 87th Street?) e na sua passagem pelo Cascais Jazz 82 com a Mingus Dynasty (grande concerto!).

Deixo aqui mais um tema: Afternoon in Paris. Desta vez acompanhado por George Mraz e Lewis Nash, num CD dedicado à música de Jonh Lewis – Milano, Paris, New York.

tilidom.com
Afternoon in Paris

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Quotes # 31

Há dias, num blog da vizinhança, li que Anita O’Day foi uma mocinha marota. Desconhecia! Indaguei e constatei que assim foi.

Esta malandreca ficou conhecida como Jezebel do Jazz devido ao seu uso e abuso da boída e das drogas. Foi dentro algumas vezes e, em 1968, quase que ia desta para melhor com uma overdose.
Foi uma sobrevivente destas vidas. Faleceu em 2006 com 87 aninhos. Bonita idade.


She was a wild chick, all right, but how she could sing!
Gene Krupa


I didn’t play girl on a bus with 27 men. I don’t want to be the den mother. I drank with them, we played poker together. Just a swinging group of people and they played that way because it was from the heart.
Anita O’Day


God takes care of fools and sinners.
Anita O’Day



Foto de Anita O’Day por Dennis Stock, 1958.


The stage, that’s my life. I come alive when I have that going.
Anita O’Day


When you haven’t got that much voice, you have to use all the cracks and the crevices and the black and the white keys. That’s all the range I’ve got. I’m no Lily Pons or Sarah Vaughan.
Anita O’Day



Foto de Anita O’Day e Charlie Pool por William Claxton, 1957.

Música para filmes

Desde 1982 que a compositora Eleni Karaindrou colabora com o realizador Theo Angelopoulos.


Eleni Karaindrou

O seu disco Music for films, no catálogo ECM, reúne as músicas dos filmes Voyage to Cythera (1983), The beekeeper (1986) e Landscape in the mist (1988).
Seguiram-se-lhes The suspended step of the stork (1991), Ulysses’ gaze (1995), Eternity and a day (1998) e The weeping meadow (2003), com as bandas sonoras editadas no mesmo catálogo.

Os seus passados ligam-nos. Karaindrou nasceu em Teichio, Grécia, uma isolada aldeia de montanha, de que diz reter memórias dos sons da sua infância: a música do vento, a chuva nos telhados, a água correndo, o cantar do rouxinol e o silêncio da neve. Angelopoulos percorreu essas mesmas aldeias de montanha, abandonadas e em ruínas, buscando memórias escondidas e vidas sepultadas na solidão; para poder dar uma imagem clara e precisa de uma das realidades da sua Grécia.

Os filmes pintam texturas de pessoas e acontecimentos sociais e históricos.
De homens velhos, de exilados políticos; de fronteiras e de refugiados; de novas vidas.
Das suas viagens por recordações, reais e imaginárias; pelo vazio, pela solidão, pelo desespero e pelos sonhos; pela morte.
De ideais que não cabem num novo país, nem numa nova realidade social.
Da entrada do exército vermelho em Odessa; da história dos Balcãs; da queda do comunismo na Europa de Leste.

A música sabe acompanhar estas texturas temáticas. É sombria e melancólica. Sem classificação, percorrendo espaços da música erudita e da música folclórica grega. Uma orquestra de cordas que, com a ajuda de um piano, um acordeão, sopros e instrumentos tradicionais, constrói variações e orquestrações a partir de linhas melódicas belas e simples.
E sabe também ser contemplativa, para acompanhar a narrativa lenta e episódica do realizador, assente em longos e panorâmicos planos-sequência, com composições complexas que por vezes envolvem muitos actores e figurantes.

Karaindrou diz: “A minha relação com o movimento da câmara é mais importante que a minha relação com o guião. Claro que a música tem de acompanhar a história, mas o significado do filme nem sempre é explícito no argumento. A imagem e a música têm de contar o que as palavras não podem dizer … E depois, na fase de edição, o grão e a luminosidade da fotografia confirmam o que eu tenho de saber para colorir e orquestrar”.





The suspended step of the stork





Ulysses' gaze
Grand Jury Prize and International Critics' Prize, Cannes Film Festival
Felix of the Critics (Film of the Year 1995)





Eternity and a day
Palme d'Or, Cannes Film Festival
Prize of the Ecumenical Jury





The weeping meadow

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Quotes # 30

Charlie Parker was the Louis Armstrong of his generation. Every musician since his time is in his debt.
Nat Hentoff

Permit me ...

Permit me to introduce you to AB.

Alan Broadbent não é o único pianista que descobri por via das notas de Charlie Haden. Também Hampton Hawes, em As long as there’s music, e Denny Zeitlin, em Time remembers one time once.

No projecto Quartet West, Broadbent é o pianista de serviço, sendo também o responsável pelos arranjos e direcção de orquestra.

Como arranjador os seus talentos datam de há mais tempo. Foram reconhecidos com o trabalho na orquestra de Woody Herman, o seu road father, de quem diz “Woody was a great man who was hardworking and who cared about you as well as the music”. E com vocalistas como Mel Tormé (Without a word of warning), Natalie Cole (When I fall in love), Linda Ronstadt e Diana Krall.

Por mim, aprecio bastante a sua vertente pianística. O seu fraseado neo-bop, lírico, melódico e tremendamente elegante, fez com que o designassem por unsung hero of the acoustic piano.
Refere Bill Evans, Wynton Kelly, Tommy Flanagan, Nat King Cole e Red Garland como alguns dos seus preferidos (meus também!), e diz ainda “my improvising repertoire is from the American standard songbook, and I compose songs in that fashion too”.

Se bem que nem tudo o que grammy é ouro, 2 temas dos seus discos, You and the night and the music (2004) e Round midnight (2006), receberam nomeações para a categoria de best instrumental jazz solo.
Trata-se de música de piano trio bem ao gosto do Pescador, que não resiste a deixar aqui uma amostra.


With the wind and the rain in her hair
(Out of service!)

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Praia da Vieira

Praia da Vieira no início dos anos oitenta. Ou, como nós lhe chamávamos, a praia da sardinha assada.
Ainda hoje, uma ode ao betão.







Fotografias da Praia da Vieira pelo Pescador

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Quotes # 29

I don't expect people who listen to Emerson, Lake and Palmer to come hear me. I accept that reality.
Cecil Taylor

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Brassaï

Brassaï, os artistas e as palavras.


Kiki de Montparnasse, 1934


Matisse, 1939


Messiaen, 1946


Dali, 1955

Sempre recusei especializar-me. Sempre fiz muitas coisas: fotografias, desenhos, esculturas, filmes, livros… Não tenho medo de me dispersar… Quero ser livre.

Não invento nada. Imagino tudo… A maior parte das vezes extraí imagens do quotidiano que me envolve. Penso que captar a realidade da forma mais humilde, sincera e realista, é o melhor caminho para o fantástico.

Nas minhas fotografias nunca me limitei a um único tema. Fotografava tudo o que me interessava: rostos, ruas, paisagens e os mil e um aspectos do quotidiano. A arte e os artistas fazem parte da minha vida.

Sábado, 3 de Maio de 2008

Quotes # 28

Man, that cat is nuts!
Thelonious Monk on Ornette Coleman

Playlist - Maio

Neste mês de Maio o gira-discos toca:

The blues from the way back, pelo grande guitarrista Mark Whitfield. Muito bem acompanhado por Marcus Roberts, Reginald Veal e Herlin Riley/Troy Davis. Do seu 1º disco, The marksman, onde utiliza a guitarra D’Angelico de George Benson e o amplificador Dumble de Robben Ford.

Blue heaven, extraído do disco Soul on soul de Dave Douglas (gravado em 1999); um tributo à pianista e compositora Mary Lou Williams, que inclui arranjos originais para o sexteto de alguns temas de Mary Lou e composições do próprio Douglas inspiradas no trabalho da pianista.
Os sidemen, neste tema: Greg Tardy, Joshua Roseman, Uri Caine, James Genus e Joey Baron. Um luxo!
Como curiosidade, este Soul on soul foi disco do ano de 2001 na poll da revista Down Beat.

Recuando uns anitos, até Dezembro de 1954, podemos ouvir Falling in love with love e You’d be so nice to come home to pela voz de Helen Merril. A trompete é a de Clifford Brown.

Sous le ciel de Paris numa versão do Tethered Moon. Este trio liderado pelo pianista Masabumi Kikuchi conta com Gary Peacock e Paul Motian; os seus encontros, ainda que pouco regulares, datam de há mais ou menos 17 anos.
A música do trio é algo hermética e tem percorrido caminhos sinuosos e imprevisíveis que passam pelos universos de Kurt Weil, Puccini e até Jimmy Hendrix.
Aqui trata-se de Édith Piaf e das suas canções. O tema escolhido é de fácil audição; senão tinha ficado na prateleira!

Jornada campestre


O rio Ponsul a montante da ponte da Monheca.


Barbos tentando vencer a corrente.


Rocha nos arredores de Ceclavín, junto ao rio Alagón.


O rio Alagón nas imediações de Ceclavín.


Barbo no rio Alagón. Os malmequeres dentro de água
mostram o resultado das últimas chuvas.


Novamente o Alagón, um grande local de pesca.


Vista da encosta de Sierra de Gata.


Santibáñez el Alto visto de Sierra de Gata.


Já em Santibáñez el Alto.


Torre de Don Miguel vista de Santibáñez el Alto.


Embalse de Borbollón visto de Santibáñez el Alto.


Embalse de Alcántara: barbos, carpas, achigãs, luciopercas,
e muitos mais. O paraíso dos pescadores!

Fotos: O Pescador