Sábado, 30 de Agosto de 2008

The Great American Songbook

As décadas de 20 a 60 são por muitos consideradas o grande período da canção popular norte-americana (the golden age of popular music), abrangendo Tin Pan Alley, os musicais da Broadway e os musicais de Hollywood.

Com a sua popularidade, esta música transpôs os limites do seu contexto de origem e de tempo, constituindo, até aos dias de hoje, o repertório de muitos músicos de jazz. Aqui, estas músicas simplesmente designadas por standards, servem de base aos projectos musicais e improvisações de muitos jazzmen.

Os standards continuam populares e persistem na sua intemporalidade. Foram a marca de tempos e de gerações, ouvidos por muitas pessoas em muitos países, fazendo parte da história e das nossas memórias. Não passando de moda como uma peça de vestuário, um penteado ou uns passos de dança.

Na composição, Berlin, Porter, Ellington e os irmãos Gershwin, entre outros, deram cartas. Na interpretação, Armstrong, Sinatra e Billie Holiday destacaram-se. Hoje, Krall, Bublé, Natalie Cole, Connick Jr. e Michael Feinstein, fazem viver o great american songbook com o brilho e dignidade merecidos.



Billie Holiday por William Gottlieb

tilidom.com

Alguns temas, compositores e homens de letras:

It had to be you (Isham Jones, Gus Kahn), 1924
Sweet Georgia brown (Maceo Pinkard, Kenneth Casey), 1925
Tea for two (Vincent Youmans, Irving Caesar), 1925
Stardust (Hoagy Carmichael, Mitchell Parish), 1927
As time goes by (Herman Hupfeld), 1931
Dancing in the dark (Arthur Schwartz, Howard Dietz), 1931
Night and day (Cole Porter), 1932
Blue moon (Richard Rodgers, Lorenz Hart), 1934
Cheek to cheek (Irving Berlin), 1935
They can't take that away from me (George & Ira Gershwin), 1937
Over the rainbow (Harold Arlen, E. Y. Harburg), 1939
All the things you are (Jerome Kern, Oscar Hammerstein II), 1939
Star eyes (Don Raye, Gene DePaul), 1943
Stella by starlight (Victor Young, Ned Washington), 1944
Laura (David Raksin, Johnny Mercer), 1945
Time after time (Jule Styne, Sammy Cahn), 1947
If I were a bell (Frank Loesser), 1950
Satin doll (Duke Elington & Billy Strayhorn, Johnny Mercer), 1953
Come fly with me (Jimmy Van Heusen, Sammy Cahn), 1957
My favourite things (Richard Rodgers, Oscar Hammerstein II), 1959



Bing Crosby & Louis Armstrong


For example, when sound recording first came along, the singers belted into it as if performing to an empty stadium. The name that springs to mind is Caruso, the world's biggest voice. But with the coming of microphones in the 1920s, singing became more personal, and the name became Bing Crosby, the world's friendliest voice.
Wilfrid Sheed in The House That George Built


Alguns cantores:

Fred Astaire (1899-1987)
Louis Armstrong (1901-1971)
Bing Crosby (1903-1977)
Billie Holiday (1915-1959)
Frank Sinatra (1915-1998)
Ella Fitzgerald (1917-1996)
Jo Stafford (1917-2008)
Nat King Cole (1919-1965)
Carmen McRae (1920-1994)
Peggy Lee (1920-2002)
Judy Garland (1922-1969)
Dinah Washington (1924-1963)
Sarah Vaughan (1924-1990)
Mel Tormé (1925-1999)
Sammy Davis Jr. (1925-1990)



Ella Fitzgerald por William Gottlieb


In a hundred to a hundred fifty years from now, I believe that people will recognize the music of Gershwin and Ellington as the Classical Music of our time.
Tony Bennett

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

O violino

Four poor strings! - It sounds like a joke -
For all wonder of sound!
Does not mankind have just one heart,
Which surely suffices for everything!
Franz Grillparzer




Rachel Podger interpreta a sonata nº 1 em sol menor, BWV 1001, para violino, de Johann Sebastian Bach, num violino barroco Pesarinius (Génova, 1739).


In his youth, and well into old age, he played the violin with a clear, penetrating tone.
Carl Philipp Emanuel Bach on his father

Quotes # 40

Get up from that piano. You hurtin' its feelings.
Jelly Roll Morton

Sábado, 23 de Agosto de 2008

Salada de polvo e corrupção # 2

- Gostaria de poder explicar às pessoas o que é a política, como dantes explicava aos alunos a utilidade dos insectos.
Eles perguntavam-me: para que serve a mosca? É incómoda, é feia, suja.
E eu respondia: serve. Serve para alimentar os répteis, as aves.
Sabes o que pensam as pessoas da política? Que é um pouco como a mosca; coisa suja, feia, inútil e dispendiosa.

- Não, pensam que é um privilégio reservado aos políticos.

- Claro, mas se quem faz política se deixasse comer pelos eleitores tudo seria diferente.
Diálogo entre o Professor Conti e Silvia Conti


Para a democracia, a corrupção é exactamente como o lubrificante para o motor.
Tem um cheiro nauseabundo, e suja. Mas não se pode passar sem isso.
Antonio Espinosa


Eu trato somente de juntar a alta finança, a alta criminalidade, o poder político.
Tudo junto, isso é o poder.
Antonio Espinosa


Um dos aspectos que me chamou a atenção nesta série é a autonomia e a independência que os magistrados e investigadores possuem relativamente ao poder político.

Ao acompanhar pela comunicação social o desenvolvimento de alguns processos em curso no nosso país fico com a ideia contrária. Será impressão minha? E fico a pensar que anda por aí gente à solta que, no juízo de qualquer bom português e em qualquer país dito civilizado, deveria estar à sombra. Será também impressão apenas minha?

Interrogo-me também sobre as peculiaridades das malhas da justiça. Como conseguirão reter as petingas e deixar passar os atuns? Decididamente não têm nada a ver com as das redes de pesca!
Mas sobre esta questão já a minha avó me dizia há umas dezenas de anos: quem rouba um pão é ladrão, quem rouba um milhão é barão.

Há muitos anos # 3

Esta é a terceira e última fotografia datada do dia do casamento dos meus pais, e que retrata homens e mulheres do passado recente de Cebolais de Cima.
Conheci quase todos os que aqui estão e, se não estou enganado, todos eles já passaram.
Honra à sua memória.

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Quotes # 39

De manhã só é bom é na caminha, pelo menos comigo.
Marco Fortes, atleta olímpico

Estes socialistas são, de facto, pessoas exóticas.
Alberto João Jardim

Sábado, 16 de Agosto de 2008

Salada de polvo e corrupção # 1

É bom ter tempo. É para isso que as férias servem. Para ter tempo! Tempo para se gastar da maneira que se entende. Sem agendas, horários, cronogramas, e sem nos passar pela cabeça dizer "mal empregado tempo que eu perdi".

Eu cá estou agarrado ao blog, aos CDs e aos LPs, a rever séries de televisão que por aqui moram.

Estou a fazer maratonas com O Polvo (La Piovra). Lembram-se? … A série data de 1984 e começou a ser transmitida no nosso país em 1985. Prolongou-se por 10 temporadas, até 2001, e continua actual. Gosto particularmente de estabelecer paralelismos com a nossa realidade política e económica, seja com factos, seja com pessoas. Arrisco-me a parecer algo masoquista ao dizer que me dá gozo.

Foi nesta série que, então jovem, comecei a ouvir falar de conceitos como enriquecimento rápido, tráfico de influências e do poder que se sobrepõe às instituições.
Os enredos dos clássicos filmes de gangsters ficaram para trás e dão lugar ao tráfico de narcóticos e de armas, ao armazenamento de resíduos nucleares, ao branqueamento de capitais, à especulação financeira e imobiliária, ou à utilização de fundos públicos para fins ilícitos. Mas manteve-se o clima de terror e de violência que, além de ser visível no ecrã, grassou por ruas de Itália nos finais de 80 e princípios de 90.

Sobre a corrupção (in La Piovra):

É só começar a aceitar um jogo perigoso. Uma vez, só uma vez, e depois…
Corrado Cattani

O culto da verdade é perigoso, e quando somos os únicos a celebrá-lo é preciso usar a prudência.
Avvocato Terrasini

Não sei … não sei. Nem me apercebi. Primeiro, fiz um favor a um amigo. Depois, um superior começou a insistir … mais um favor a um político para obter uma promoção. Chegou uma prenda demasiado grande no Natal. E depois, facilitações na carreira. E, uma vez que fiquei importante, chegou o primeiro cheque como gentileza. Depois o segundo, o terceiro e um pequeno compromisso, depois um maior.
Uma chantagem para ceder, uma chantagem para devolver a outros, e as chantagens aumentam, multiplicam-se … tornam-se a tua vida.
Sebastiano Cannito

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Lisboa # 9

Na Feira da Ladra, no início dos anos 80.





Fotos: O Pescador

Quotes # 38

Playing bop is like playing scrabble with all the vowels missing.
Duke Ellington

Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Isaac Hayes

Isaac Lee Hayes
(1942 - 2008)




tilidom.com
Shaft

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Regresso a Las Hurdes

A primeira paragem foi junto ao Monasterio de San José de Batuecas, onde, desde 1950, residem monges da Ordem dos Carmelitas Descalços.

Estamos também num ponto de partida para a prática de sendeirismo, com roteiros que permitem a descoberta de importantes gravuras rupestres do período Neolítico, que se encontram em abrigos ao longo do curso do rio.

Según el diccionario de la Real Academia de la Lengua, estar en Las Batuecas es estar distraído y ajeno a aquello de que se trata: es decir, absorto y embelesado.




Almoçámos em Las Mestas, no chiringuito junto ao Río Ladrillar. Passando pela povoação com o mesmo nome, seguimos em direcção a Riomalo de Arriba, o mais bem preservado conjunto de “arquitectura negra” de Las Hurdes, com as suas casas construídas em pedra e com telhados de xisto.


Río Ladrillar




Ladrillar




Riomalo de Arriba

Subimos a serra e contemplámos a panorâmica virados para os lados de Riomalo de Arriba, e de Carabusino e Casares de las Hurdes com a Sierra de la Canchera por detrás.


Riomalo de Arriba


Carabusino e Casares de las Hurdes

Descendo a serra rumámos a Martilandran onde, em direcção a El Gasco, fomos à descoberta dos meandros do Río Malvellido.


Martilandran e El Cotolengo






Meandros no Río Malvellido

Agora ficámos com vontade de regressar após a época das chuvas. Para ver todos estas encostas e todos estes vales invadidos pela vida da água.

Passámos por Nuñomoral antes de uma nova paragem em Pinofranqueado, mais uma vez no El Castúo, onde vieram para a mesa alguns produtos tradicionais da gastronomia extremeña: o jamón ibérico de bellota, o zorongollo e as patatas extremeñas. Que aproveche!


Nuñomoral e o Río Hurdano

Fotos: O Pescador

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Novos locais de pesca

São 3 as novas e pequenas massas hídricas que temos nas imediações de Castelo Branco.

A primeira, a Barragem do Açafal, já não é recém-nascida. Mesmo à beira de Vila Velha de Ródão, consta que nadam por lá achigãs, barbos e muitas, mas mesmo muitas percas. As margens são íngremes e o número de pesqueiros reduzido.
Nas minhas visitas tenho por lá encontrado apenas pescadores locais.
Vou aguardar mais uns tempos por notícias piscatórias para saber se se justifica uma jornada de trabalho por aquelas águas.


Barragem do Açafal


Envolvente da Barragem do Açafal

O Açude de Retaxo, alimentado pela ribeira com o mesmo nome, situa-se entre Sarnadas de Ródão e Cebolais de Baixo. De construção muito recente, encheu com as últimas chuvas. As águas excedentárias são desviadas para a Barragem da Coutada.


Os moradores de Sarnadas é que não estão muito satisfeitos com o baptismo do açude.


Lástima que parte do leito não tivesse sido convenientemente limpo. Nem de vegetação, nem de estruturas. A prática da pesca estará condicionada neste local.
Aguardemos pelos peixes que aqui irão habitar.


Chegamos à Barragem da Coutada pelo cruzamento de Perais, junto a Serrasqueira. Esta sim!!! Tem potencialidades para se tornar um local de peregrinação dos pescadores da região: extensão, águas limpas, margens desmatadas, com declive suave e bons acessos.


Monte da Coutada e a Barragem da Coutada

Recebeu apenas água das últimas chuvas, e desconheço as diligências efectuadas no sentido do seu povoamento. Trata-se de uma questão delicada e da responsabilidade de serviços públicos. Esperemos que a selecção de espécies seja criteriosa e permita usufruir das boas condições que a barragem oferece.
Mas, os populares não conseguem esperar. Oxalá não pensem em trazer um balde cheio de percas e peixes gato para estas bandas. Antes uns pimpões, como foi feito na Talagueira.


Barragem da Coutada

Fotos: O Pescador

Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Há muitos anos # 2


Aqui estão eles, a juventude de então. Com o copinho de tintol na mão. Não o provei, mas era bom com toda a certeza. Muitos já passaram, mas ainda confraternizamos com alguns deles.

Hoje bebem coca-cola, ice tea, enfrascam-se com B52’s, black russians, e outras mixórdias. Shakira & Companhia tomaram o lugar de Chick Webb, Count Basie, Artie Shaw, Tommy Dorsey e Glenn Miller, entre muitos outros.

São os tempos.


Que é, pois, o tempo? Se ninguém me perguntar eu sei, porém, se quiser explicar a quem me perguntar, já não sei.
Santo Agostinho

Quotes # 37

Take a music bath once or twice a week for a few seasons, and you will find that it is to the soul what the water bath is to the body.
Oliver Wendell Holmes