Enquanto decorre mais uma emissão de prós e contras no canal televisivo tutelado pelo Estado, desta vez dedicada à Educação, não resisti a transcrever alguns parágrafos de um artigo de opinião de João César das Neves no DN:
“Vivemos na era da informação, na sociedade mediática, no tempo da imagem. Não é propriamente novidade. Já cá andamos há tantos anos que talvez fosse altura de aprender a viver com isso. O mais surpreendente é constatar a crescente dificuldade em lidar com aquele mundo em que nascemos. Os disparates e tolices parecem multiplicar-se…
…Temos visto uma sucessão de funcionários públicos superiores atropelarem-se na ânsia de arranjar sarilhos com declarações à imprensa…
…Seguem-se os inevitáveis desmentidos, correcções, apoios do ministro competente, pedidos de exoneração da oposição…
…Não há quem cale esses leais servidores do Estado? As gaffes dos ministros são já proverbiais, mas ao menos fazem parte das suas funções…
…As dificuldades em viver neste mundo não se ficam pela vida pública. Na televisão, rádio, jornais ou auditórios é normal organizar colóquios, debates, mesas-redondas para lidar com questões de fundo…
…Mas como vivemos na sociedade mediática, não se podem fazer as coisas de forma esclarecedora. Empilham-se os oradores de múltiplas orientações, proveniências e atitudes. O resultado é uma cacafonia incompreensível que, levada a sério, deixaria toda a gente mais confusa que antes…
…Vivemos num mundo de espelhos, numa fogueira de ilusões. Consideramo-nos informados e esclarecidos mas nos assuntos sérios, opções estratégicas, problemas de fundo, novas infra-estruturas, escândalos empresariais, temos de admitir que ninguém se entende…
…Na era da informação é crucial lembrar que o silêncio é de ouro.”
Nada que não tivesse já ouvido da boca do meu professor de psicologia no 6º ano do liceu: “Palradores da ignorância, lembrem-se que o silêncio é de ouro e a fala de prata.”
Bom, e para dar um toque de jazz a este post aqui ficam 2 citações de Lionel Hampton recolhidas no blog de Doug Ramsey, Rifftides:
"Playing is my way of thinking, talking, communicating."
"Gratitude is when memory is stored in the heart and not in the mind."
Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Sábado, 23 de Fevereiro de 2008
Robert Doisneau
Mais um fotógrafo por quem tenho uma grande estima, e que foi esquecido na colecção do Expresso.
Hoje o Pescador relembra algumas imagens de Robert Doisneau (1912-1994). Fotógrafo francês que, com Paris no coração e na câmara, dedicou grande parte do seu trabalho à fotografia do quotidiano dos parisienses e moradores dos subúrbios.
Hoje o Pescador relembra algumas imagens de Robert Doisneau (1912-1994). Fotógrafo francês que, com Paris no coração e na câmara, dedicou grande parte do seu trabalho à fotografia do quotidiano dos parisienses e moradores dos subúrbios.
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008
Meet Anat Cohen
Conhece Anat Cohen?
Acho piada à forma como Joe Moore se lhe referiu em Junho passado: “o melhor músico de jazz de quem você ainda não ouviu falar”.
Esta moça, que nasceu em Telavive e hoje vive na Big Apple, toca saxofones e clarinetes e é uma excelente sopradora.
Caíram nas redes do Pescador 2 dos seus discos: Poetica e Noir.
No primeiro, Poetica, ouvimo-la exclusivamente em clarinete acompanhada de Jason Lindner no piano, Omer Avital no contrabaixo e Daniel Freedman na bateria; contribuem também, em algumas das faixas, um quarteto de cordas e Gilad na percussão.
O reportório inclui temas oriundos de Israel, Brasil, França, originais de Cohen e Avital, e Lonnie’s Lament de Coltrane.
A música em si perde-se agradavelmente pelos territórios do jazz e da clássica, com improvisações algo envergonhadas que fluem subtilmente dos arranjos.
No segundo, Noir, num contexto de large ensemble – a Anzic Orchestra –, ouvimos uma Cohen mais atrevida e solta nas improvisações, agarrada ao clarinete e aos saxofones no meio dos belos arranjos de Oded Lev-Ari.
A música revela-se uma deliciosa viagem por Cuba, Cabo Verde, Brasil, Nova Orleães e por algum reportório jazzístico.
Não deve ser indiferente a estas escolhas a sua colaboração no New York Samba Jazz, quinteto liderado pelo baterista brasileiro Duduka da Fonseca.
Foi difícil escolher uma música para aqui deixar. Picou o isco o saxofone soprano de Cohen no medley Samba de Orfeu – Struttin’ with some barbeque.
Acho piada à forma como Joe Moore se lhe referiu em Junho passado: “o melhor músico de jazz de quem você ainda não ouviu falar”.
Esta moça, que nasceu em Telavive e hoje vive na Big Apple, toca saxofones e clarinetes e é uma excelente sopradora.
Caíram nas redes do Pescador 2 dos seus discos: Poetica e Noir.
No primeiro, Poetica, ouvimo-la exclusivamente em clarinete acompanhada de Jason Lindner no piano, Omer Avital no contrabaixo e Daniel Freedman na bateria; contribuem também, em algumas das faixas, um quarteto de cordas e Gilad na percussão.
O reportório inclui temas oriundos de Israel, Brasil, França, originais de Cohen e Avital, e Lonnie’s Lament de Coltrane.
A música em si perde-se agradavelmente pelos territórios do jazz e da clássica, com improvisações algo envergonhadas que fluem subtilmente dos arranjos.
No segundo, Noir, num contexto de large ensemble – a Anzic Orchestra –, ouvimos uma Cohen mais atrevida e solta nas improvisações, agarrada ao clarinete e aos saxofones no meio dos belos arranjos de Oded Lev-Ari.
A música revela-se uma deliciosa viagem por Cuba, Cabo Verde, Brasil, Nova Orleães e por algum reportório jazzístico.
Não deve ser indiferente a estas escolhas a sua colaboração no New York Samba Jazz, quinteto liderado pelo baterista brasileiro Duduka da Fonseca.
Foi difícil escolher uma música para aqui deixar. Picou o isco o saxofone soprano de Cohen no medley Samba de Orfeu – Struttin’ with some barbeque.
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Betty Carter Trio
Fotografias de Betty Carter e o seu Trio na Aula Magna, em 31 de Outubro de 1990.
Os pupilos da Magnífica Reitora eram, à data, Marc Cary no piano, Dwayne Burno no contrabaixo e Gregory Hutchinson na bateria.
Os pupilos da Magnífica Reitora eram, à data, Marc Cary no piano, Dwayne Burno no contrabaixo e Gregory Hutchinson na bateria.
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Fotografia de jazz
Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
Quotes # 18
I created jazz in 1902, not W. C. Handy.
Jelly Roll Morton, 1938
Jelly Roll Morton, 1938
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Lisboa # 6
Banca de jornais, penso que na Av. Duque de Ávila junto à Av. da República, no início dos anos 80.
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Lisboa
Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Cabaret
Hoje, em León, o nosso Presidente da República referiu projectos para novas vias rápidas que irão ligar-nos aos nuestros hermanos.
Ele são estradas e auto-estradas. Ele são ainda aeroportos, ele são trens de grande velocidade (eu cá prefiro o trem azul), ele são pontes rodo e ferroviárias. Nós de ligação… Eu sei lá que mais irá por aí aparecer …
Todos nós sabemos das expectativas que giram à volta destas obras: um crescimento económico artificial que peca pela não sustentabilidade e que servirá de bandeira para a próxima campanha eleitoral, especulação imobiliária e toda uma série de negociatas de tigela a transbordar e de meia-tigela, para dizer algumas.
Aqui o Pescador tenta ver as coisas pelo lado positivo.
Está com esperança que com todas estas vias de comunicação abertas alguém venha tomar conta de nós.
Apetece-me cantarolar:
Ele são estradas e auto-estradas. Ele são ainda aeroportos, ele são trens de grande velocidade (eu cá prefiro o trem azul), ele são pontes rodo e ferroviárias. Nós de ligação… Eu sei lá que mais irá por aí aparecer …
Todos nós sabemos das expectativas que giram à volta destas obras: um crescimento económico artificial que peca pela não sustentabilidade e que servirá de bandeira para a próxima campanha eleitoral, especulação imobiliária e toda uma série de negociatas de tigela a transbordar e de meia-tigela, para dizer algumas.
Aqui o Pescador tenta ver as coisas pelo lado positivo.
Está com esperança que com todas estas vias de comunicação abertas alguém venha tomar conta de nós.
Apetece-me cantarolar:
Willkommen, bienvenue, welcome!
Fremde, étranger, stranger.
Gluklich zu sehen, je suis enchanté,
Happy to see you, bleibe, reste, stay.
Willkommen, bienvenue, welcome
Im Cabaret, au Cabaret, to Cabaret.
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Ironias
Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008
Jay McShann
Pianista autodidacta, cantor e chefe de orquestra, Jay “Hootie” McShann morreu aos 90 anos. A sua escola de música foi um rádio onde ouvia em directo e fora de horas o piano de Earl Hines no Chicago’s Grand Terrace Ballroom. “Quando ele acabava de tocar ia para a cama”.
Não teve um percurso musical regular. Em 1931 constituiu uma pequena banda que actuava em Tulsa, Oklahoma e no vizinho estado do Arkansas. Em 1936 viajou até Kansas City, Missouri, onde formou a sua big band que incluía Charlie Parker, Bernard Anderson, Ben Webster e o blues shouter Walter Brown. Se bem que a música tocada fosse ao Kansas City jazz style, nas sessões de gravação escutavam-se blues. O seu tema mais popular, Confessin’ the blues, foi gravado pelos Rolling Stones, B. B. King, Little Walter, Jimmy Witherspoon e outros.
A sua incorporação, em 1943, pôs termo a esta banda. Após a desmobilização, e com o bebop dominando a cena do jazz, a tentativa de formar uma nova orquestra gorou-se. Dirigiu então pequenas formações com Jimmy Witherspoon e a colaboração de Ben Webster, tocando uma música mais comercial ao jeito do rhythm & blues. Esteve com Witherspoon no hit Ain’t nobody’s business.
Após uns anos no esquecimento, em 1969 ressurgiu numa digressão que se estendeu ao velho continente e que o popularizou como pianista e cantor, actuando regularmente com Claude “Fiddler” Williams. Manteve-se no activo gravando e em concertos até que a pouca saúde não lhe permitiu continuar, pouco antes de falecer.
Nas últimas entrevistas acabaria por contar a sua versão de como Charlie Parker tinha ganho a alcunha de Yardbird, posteriormente encurtada para Bird. Ao que parece, indo juntos num automóvel para um gig atropelaram uma galinha. Parker insistiu que parassem e que recolhessem a "yardbird" para a cozinharem ao jantar.
McShann teve uma participação importante na homenagem à Kansas City Golden Age (1980), no documentário Jazz de Ken Burns (2001) e podemos vê-lo em Piano Blues, de Clint Eastwood, com Big Joe Turner, no tema Pinney Brown blues, e a solo em Hello little girl, don’t you remember me?.
O clip que o Pescador aqui deixa não pretende ser representativo da música de McShann. Antes reflecte um estado de alma relacionado com a presente interrupção lectiva e com o tempo disponível para esbanjar: What a wonderful world (não vale fazer comparações).
Não teve um percurso musical regular. Em 1931 constituiu uma pequena banda que actuava em Tulsa, Oklahoma e no vizinho estado do Arkansas. Em 1936 viajou até Kansas City, Missouri, onde formou a sua big band que incluía Charlie Parker, Bernard Anderson, Ben Webster e o blues shouter Walter Brown. Se bem que a música tocada fosse ao Kansas City jazz style, nas sessões de gravação escutavam-se blues. O seu tema mais popular, Confessin’ the blues, foi gravado pelos Rolling Stones, B. B. King, Little Walter, Jimmy Witherspoon e outros.
A sua incorporação, em 1943, pôs termo a esta banda. Após a desmobilização, e com o bebop dominando a cena do jazz, a tentativa de formar uma nova orquestra gorou-se. Dirigiu então pequenas formações com Jimmy Witherspoon e a colaboração de Ben Webster, tocando uma música mais comercial ao jeito do rhythm & blues. Esteve com Witherspoon no hit Ain’t nobody’s business.
Após uns anos no esquecimento, em 1969 ressurgiu numa digressão que se estendeu ao velho continente e que o popularizou como pianista e cantor, actuando regularmente com Claude “Fiddler” Williams. Manteve-se no activo gravando e em concertos até que a pouca saúde não lhe permitiu continuar, pouco antes de falecer.
Nas últimas entrevistas acabaria por contar a sua versão de como Charlie Parker tinha ganho a alcunha de Yardbird, posteriormente encurtada para Bird. Ao que parece, indo juntos num automóvel para um gig atropelaram uma galinha. Parker insistiu que parassem e que recolhessem a "yardbird" para a cozinharem ao jantar.
McShann teve uma participação importante na homenagem à Kansas City Golden Age (1980), no documentário Jazz de Ken Burns (2001) e podemos vê-lo em Piano Blues, de Clint Eastwood, com Big Joe Turner, no tema Pinney Brown blues, e a solo em Hello little girl, don’t you remember me?.
O clip que o Pescador aqui deixa não pretende ser representativo da música de McShann. Antes reflecte um estado de alma relacionado com a presente interrupção lectiva e com o tempo disponível para esbanjar: What a wonderful world (não vale fazer comparações).
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Jay McShann
Playlist - Fevereiro
Este mês o Pescador meteu-se por terrenos muito escorregadios. Pois é, o gira-discos toca:
ICP Orchestra - Let's climb a hill
Bar Kokhba Sextet - Jachim
Willem Breuker Kollektief - Moonbathed
ICP Orchestra - Let's climb a hill
Bar Kokhba Sextet - Jachim
Willem Breuker Kollektief - Moonbathed
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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008
Quotes # 17
I’ll never sing with a dance band again.
Billie Holiday, 1939
Billie Holiday, 1939
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Lisboa # 5
Jovem vendedora de jornais ao fundo da Av. das Forças Armadas, junto a Entrecampos. À volta de 1980, mais ano menos ano.
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Lisboa
Sábado, 2 de Fevereiro de 2008
Richard Avedon
Há umas semanas que coleccionei os fascículos que o Expresso dedicou a grandes fotógrafos.
Não foram abrangidos pela colecção alguns de que me recordava e cujas fotos via com muito agrado, quando dos tempos de estudante em que comprava a Photo. Assim que voltei às velhas revistas e resolvi remediar a situação.
Hoje é a vez de Richard Avedon (1923-2004) e de algumas fotos de moda.
Não foram abrangidos pela colecção alguns de que me recordava e cujas fotos via com muito agrado, quando dos tempos de estudante em que comprava a Photo. Assim que voltei às velhas revistas e resolvi remediar a situação.
Hoje é a vez de Richard Avedon (1923-2004) e de algumas fotos de moda.
Poderá ver mais fotos deste mestre em The Richard Avedon Foundation, http://www.richardavedon.com/
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