Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Pois, pois ... # 33

"Shane! Come back!"



Shane (1953), George Stevens

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Eddie Higgins + John Bunch

Na manhã de ontem, que quis serena, procurava notas de piano que se mesclassem com a amenidade deste início de Verão. Por aqui chuviscava. Let the rain pitter patter, but it really doesn’t matter…

A exuberância do trio de Pullen ou a complexidade de Mehldau não me serviram. O introspectivo Evans ou as muitas notas de Peterson tão-pouco. Também pensei em Loussier, mas apetecia-me um cocktail de standards.

Elegância. Delicadeza. Sobriedade. Swing.
Optei pela música de dois pianistas de quem ouvimos falar pouco, algo subestimados. Um deles tem passado por aqui, Eddie Higgins, o outro, John Bunch, é um estreante nestas paragens.

Também me lembrei deles há umas semanas quando li o blindfold test a Vijay Iyer na DB magazine. Onde, face a uma recente interpretação de Georgia on my mind por Dave Brubeck, Iyer disse: “This is either an older person or… It’s about the inner voices in the chords, the subtle gradations in the voicings that come from decades of careful decision-making.”

Ao piano, a temperança é virtude comum a estes dois músicos. Se Ellington os escutasse certamente não repetiria o comentário que dirigiu a uma jovem Marian McPartland: ”My dear, you play so many notes.”


Higgins nasceu em 1932, em New England. Começou por tocar em clubes de jazz na cidade de Chicago, onde permaneceu por uns bons anos. Aí gravou como sideman de alguns notáveis e também por sua conta. Coleman Hawkins, Lee Morgan, Wayne Shorter e Freddie Hubbard, fazem parte dessa lista mas, por si, não bastaram para que a carreira de Higgins neste período deixe de ser considerada discreta.
Casou com Meredith d’Ambrosio e ambos estão vivos e de boa saúde no circuito dos festivais de jazz e gravando regularmente. Ela para o selo Sunnyside, ele mais para o selo japonês Venus que lhe tem conferido uma maior projecção.

Do CD Dear old Stockholm deixo o tema com o mesmo nome.


Jay Leonhart (b), Eddie Higgins (p) e Joe Ascione (d)



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Dear old Stockholm (Anders Fryxell)


John Bunch é um pianista com uma história jazzística mais sumarenta. Nasceu em Tipton, Indiana, em 1921, e com pouco mais de uma dúzia de anos já tocava nos clubes locais.

Durante a 2ª Guerra Mundial o bombardeiro onde seguia foi abatido, forçando-o a uma estadia num campo de prisioneiros alemão. “I survived that awful thing of being shot down, somehow by a miracle… I didn't get to play much in those three years.”

No pós-guerra quis continuar a sua formação musical e tentou ingressar em Yale, na Juilliard School of Music e na Universidade de Michigan, mas sem sucesso. “Because I couldn't read music.”
Trabalhou em fábricas e em companhias de seguros e, em meados dos anos 50, mudou-se para Los Angeles onde retomou com naturalidade a carreira artística.

De entre os seus pares há que mencionar Woody Herman, Buddy Rich, Gene Krupa, Eddie Condon e Maynard Ferguson, integrando grandes orquestras ou pequenos combos.
De 66 a 72 é pianista e director musical de Tony Bennett.


John Bunch & Tony Bennett

Seguiu-se o realizar de um sonho, a colaboração com a orquestra de Benny Goodman. “Just to be around that music was fantastic as I grew up listening to that. I used to try to imitate his piano player as kid.”
Milt Hinton recorda estes tempos de ouro com Goodman e Bunch: “I did a couple of gigs with Benny which were particulary memorable from a musical standpoint… There was another gig we did at the Rainbow Grill I’ll never forget. It was a quintet with Benny, me, Bob Rosengarden, Bucky Pizzarelli, and John Bunch. The place was packed, night after night, and we really tore it up. Looking back, I’d have to say Benny probably enjoyed that gig more than any other we did.”

Bunch tem gravado para os selos Concord e Chiaroscuro e Arbors. Os seus parceiros habituais são o guitarrista Bucky Pizzarelli e o contrabaixista Jay Leonhart, com os quais lidera o projecto New York Swing.

Do CD Plays the music of Irving Berlin (except one), onde tem Frank Wess como convidado, escolhi o clássico How deep is the ocean. Puro swing!


Frank Vignola (g), John Bunch (p), John Webber (b)



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How deep is the ocean (Irving Berlin)


I couldn't believe what I was hearing after the war. The war was more than a war… I went crazy over bebop… So I ended up sort of trying to play that way.
John Bunch

Sábado, 27 de Junho de 2009

Comédias e saltimbancos # 11


Fabio Biondi


Europa Galante

Notas pessoais

Quer-me parecer que saí do turbilhão de trabalho que me pôs a rodopiar nestas últimas 2 semanas. A partir de hoje debato-me com um simples espojinho.

Testes de recuperação, conselhos de turma, avaliação de estágios, avaliação de trabalhos de curso, vigilâncias de exames, a famigerada auto-avaliação, reuniões e mais reuniões, papéis e mais papéis, … O ensinar fica para trás… Não há tempo!

E quem paga as favas é o desgraçado do blog… Que não tem culpa nenhuma!

No meio disto tudo ainda arranjei tempo para dinamizar uma acção de formação destinada especificamente aos meus bons colegas de grupo disciplinar. Foram 25 horas que absorveram muitas, mas muitas mais, de preparação.
Divertida a incongruência de ser formador dos meus 3 potenciais avaliadores, que vão progredir na carreira com os créditos obtidos. À conta de um professor de 2ª ou 3ª, que nem progride nem tem direito a qualquer créditozinho. Ironias.

Apesar da falta de tempo este tacho tem servidos uns bons pratos de caldeirada a visitantes de aquém e de além-mar.


Os últimos 100 pescadores

Há uns anos tive como parceiro de trabalho um programador informático. O ritmo de trabalho na empresa, conjugado com as aulas, era alucinante. Contava ele que um dia, numa aldeia sita num vale escondido da serra, inquiriu um habitante: "… Mas, afinal o que é que vocês têm por aqui?" E ouviu: "Temos tempo!"
Um bem precioso.

Espero também começar a dispor de uma boa porção dele. Com o subsídio de férias recebido, já vêm uns CDs e um par de livros a caminho.
Haja tempo e saúde!

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Michael Jackson

Michael Joseph Jackson
(1958-2009)


The Jackson Five

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Um caso de polícia

Chamem já a Protecção de Menores! :-)


"My dad makes me listen to jazz."

Sara Tavares

A "nossa" Sara Tavares continua a dar cartas por esse mundo fora.


Desta vez vai estar presente no prestigiado 27th Annual San Francisco Jazz Festival, em 6 de Novembro deste ano. Ombreia com nomes como Gal Costa e Milton Nascimento.
O Pescador fica inchado de orgulho, deseja o melhor a esta excelente cantora e gostaria de a ver envolvida em projectos com um pé mais dentro do campo do jazz.

Descendente de pais cabo-verdianos, com o apelido Tavares e com um enorme talento musical… Interrogo-me, terá alguma costela, ainda que remota, aparentada com o grande Horácio Tavares da Silva?

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Lisboa # 13

A Feira da Ladra, em Lisboa, no início dos anos 80.





Fotos: O Pescador

Quotes # 83


Foto de Erroll Garner por William P. Gottlieb

Hell man. No one can hear you read!
Erroll Garner

Domingo, 21 de Junho de 2009

Uma música, um filme # 19

As time goes by (Herman Hupfeld)

Casablanca (Michael Curtiz, 1942)



Arthur "Dooley" Wilson (1894-1953)

Pois, pois ... # 32

"Play it, Sam. Play As time goes by."



Casablanca (1942), Michael Curtiz

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

JJA Jazz Awards 2009

Foram conhecidos esta semana os galardoados com os Jazz Awards 2009 da Jazz Journalists Association.
O Pescador releva alguns deles:



Lee Konitz – Lifetime achievment in jazz
Sonny Rollins – Musician of the year
Maria Schneider – Composer of the year
Carla Bley Big Band, Appearing nightly – Record of the year
Esperanza Spalding – Up & coming artist of the year
Mark Murphy – Special career honors for words with music


Photo of the year


Foto de Hank Jones por Kris King

Mais resultados em JJA Jazz Awards 2009

Jazz e cerveja # 1

Brother Thelonious


Brother Thelonious é uma cerveja da North Coast Brewing Company, em Fort Bragg, CA, que presta tributo ao grande Thelonious Monk.
Diz a empresa que cada garrafa vendida gerará um donativo ao Thelonious Monk Institute of Jazz.

A cerveja é do tipo Belgian Strong Dark Ale, a graduação alcoólica é de 9,00%, e é comercializada em garrafas de 750 ml. Ufffffff!

Isto trazia-nos um grave problema se a cerveja estivesse disponível em Castelo Branco. Não poderiam ser os jazzófilos locais a efectuar a contagem...!!!

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Charlie Mariano

Charlie Mariano


(1923-2009)

Um CD na bagagem

Fim das mini-férias.
Por entre laranjeiras e alfarrobeiras, ao som de pintassilgos e melros, rolas, abelharucos e outros mais, desprovido dos dispositivos electrónicos do costume, eis que dispus de uns minutos para me deslocar a uma das grandes superfícies do disco e do livro da região.
No regresso, a acompanhar uma edição especial de West Side Story dirigida pelo próprio Bernstein, trouxe na bagagem um glorioso disco de Sonny Rollins.


Trata-se da banda sonora do filme Alfie (1966) de Lewis Gilbert. A música é da autoria de Rollins e os arranjos estiveram a cargo de Oliver Nelson, que também dirigiu a orquestra onde tocaram os mestres Jimmy Cleveland, J. J. Johnson, Kenny Burrell, Walter Booker e Frankie Dunlop, entre outros.
Este trabalho foi nomeado para os Grammys de 1967 na categoria de Best original score written for a motion picture or television show.

Curiosamente a música de apresentação do filme não é de Rollins. Burt Bacharach escreveu a música e Hal David a letra. A canção Alfie, que foi distinguida com nomeações para vários awards ligados à indústria do cinema. A saber, Óscares, Golden Globes e Golden Laurels.


Sendo a preguiça muita e a pachorra pouca não vou realçar as virtudes da música, tampouco os méritos de Rollins.
Antes deixo por cá a faixa Alfie’s theme, hoje um standard.


Alfie's theme
(Out of service!)



Foto de Sonny Rollins por Yves Moch

But what Sonny showed me was that you could be completely spontaneous and at the same time have this unerring sense of logic and structure.
Joshua Redman on Sonny Rollins

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Playlist - Junho

O gira-discos do mês de Junho anda às voltas com 5 faixas de alguns dos CDs que caíram nas redes do Pescador nestes últimos tempos.

O trio de Kenny Werner interpreta de forma soberba o tema Nardis. Enche-me as medidas!
A grande orquestra de Darcy James Argue volta ao tacho da caldeirada com mais um tema de um CD que, pressinto, irá figurar em muitas das famigeradas listas de "discos do ano": Transit, com Ingrid Jensen como solista na trompete.
David Honeyboy Edwards, uma lenda viva do blues do delta, oferta-nos uma versão do clássico de Robert Johnson: Sweet home Chicago.
De Eden Brent, acoustic artist of the year nos 30th blues music awards, seleccionei um tema que também já passou neste tacho, mas pela voz de Peggy Lee e com a orquestra de Benny Goodman. Trata-se de Why don’t you do right, do seu disco Mississippi number one.
A terminar, uma excelente sugestão da Dª Cigarra Jazz no selo português Clean Feed: #6 do projecto Lucky 7s. Um septeto que congrega músicos da avant-garde de Chicago e Nova Orleães, dirigidos pelos trombonistas Jeb Bishop e Jeff Albert.


Kenny Werner
With a song in my heart (2008)
Nardis (Miles Davis)


Darcy James Argue’s Secret Society
Infernal Machines (2009)
Transit (Darcy James Argue)


David Honeyboy Edwards
Last of the great Mississippi delta bluesmen (2007)
Sweet home Chicago (Robert Johnson)


Eden Brent
Mississippi number one (2008)
Why don’t you do right (Joe McCoy)


Lucky 7s
Pluto Junkyard (2009)
#6 (Jeb Bishop)

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Jazz, blues e guitarras


Selmer #607


The guitar is a piano that you hold in your lap.
George Van Eps


Les Paul

The guitar is a great bartender, psychiatrist ... real therapy.
Les Paul

When I first came up big on the Billboard charts they couldn't decide whether to call me a jazz artist or a pop artist.
Wes Montgomery


Jim Hall

I'm not really a jazz guitarist. I'm a composer who just happens to play guitar.
Jim Hall


Pat Metheny

Playing melodies is my number one asset.
Pat Metheny

Sounds are more important than trying to play a lot of notes.
B. B. King

Sábado, 6 de Junho de 2009

Nick Ruechel


Dave & Iola Brubeck


Louis Hayes


Kenny Burrell


William Parker


Henry Grimes


Bill Dixon


Jay McShann

Fotografias de Nick Ruechel

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Pois, pois ... # 31

"My life is music. My love is music. And it's 24 hours a day."



'Round midnight (1986), Bertrand Tavernier

Koko Taylor

Cora Walton, aka Koko Taylor (1928-2009)


Foto de Koko Taylor por Giuseppe Pino

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Uma foto, uma música # 15


Foto de Hank Jones por Nick Ruechel


tilidom.com

Hank Jones & The Great Jazz Trio
Nica's dream (Horace Silver)


When you listen to a pianist, each note should have an identity, each note should have a soul of its own.
Hank Jones

It’s one thing to interpret … and it’s another thing to create. Tatum did both simultaneously: creative and interpretive. Simoultaneous composition, you might say.
Hank Jones on Art Tatum

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

O meu quintal

A preto e branco.






Fotografias do meu quintal, em Cebolais de Cima (c.1986), obtidas com um dos primeiros modelos da câmara Yashica-Mat (1957).

Fotos: O Pescador

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Concessão da Talagueira

Mais informações sobre a concessão de pesca desportiva da Talagueira, em Castelo Branco, com gestão a cargo da Associação Desportiva Albipesca.


Licenças e regulamentação


Localização

Quotes # 82


Foto de Ornette Coleman por Jimmy Katz

Musicians tell me, if what I’m doing is right, they should never have gone to school.
Ornette Coleman