Cool. Adjectivo, substantivo, verbo, advérbio ou interjeição. Fresco, com classe, fixe, calmo, saber ser e estar, saber vestir, uma estética jazzística e até um festival de jazz...
Assume um cariz político se, como interjeição, lhe suceder o termo
man: cool, man! Porreiro pá!
Esta semana recomecei a ouvir música. Os aparelhos eléctricos deixaram de sobreaquecer. O tempo deu-nos tréguas. Posso abrir janelas em casa e sentir a brisa fresca que substituiu os últimos dias de calor insuportável. Tenho mesmo de ver se me porto bem para ir para o céu. Se os calores da terra não são do meu agrado tampouco os do inferno.
A música que tem chegado a casa é igualmente refrescante.
Sabe bem dar uma escapadela fora do território mainstream. E as grandes orquestras são o veículo ideal para nos transportarem a paisagens que renovam os nossos horizontes auditivos.
Neste tacho de caldeirada já ferveu a música das orquestras de
Maria Schneider e de
Darcy James Argue.
Também lhe foram adicionados uns pozinhos de Bill Dixon com a
Exploding Star Orchestra de Rob Mazurek, quando da sua actuação no Jazz em Agosto.
Bill Dixon
With Exploding Star Orchestra (2008)O Cd chegou a semana passada. Tal como o concerto, soberbo!
Para os mais relutantes em enveredarem por estas aventuras sonoras cito algumas palavras de Ben Ratliff : “…I mentioned the Albert Ayler records with Gary Peacock and Sunny Murray… You can call it abstract music, but the musicians know the language and the dimensions they’re going to fill, and it’s very graceful”.
Também os músicos da ESO.
Hoje aromatizo o tacho com um raminho de coentros colhidos na horta de John Hollenbeck.
John Hollenbeck
John Hollenbeck Large Ensemble
Eternal Interlude (2009)Hollenbeck já cá esteve com o Claudia Quintet. Agora cabe a vez ao seu Large Ensemble.
Antes de comprar este Eternal Interlude li algumas críticas. Todas favoráveis, embora os Srs. Críticos não sejam muito de fiar. Retive algumas palavras e expressões com que procuraram caracterizar a música: composições complexas e fascinantes, partilha de elementos do jazz e da música contemporânea, paletas e tapeçarias de sons, refracção de música distinta da das típicas big bands de jazz, and so on.
A quem por aqui passar sugiro que escute os 19 minutos da peça enquanto navega. Estará muito bem acompanhado.
Se gostar da música compre o CD. O mp3 não faz qualquer tipo de justiça a estes sons, e são muitos os que ficam por ouvir em PCs e electrodomésticos habitualmente designados por aparelhagens.
Este post estava dado como concluído e pronto a ser publicado até abrir a caixa de correio. Aí encontrei o último disco de Fred Hess acabadinho de chegar de Denver, CO.
Olhando para os temas, de Hess, passando por Gary McFarland, por Fauré e indo até Braxton e outros, apercebi-me de que estava perante um projecto musical multifacetado. Quando as pequenas Mission começaram a jorrar notas vi que estava certo.
Os sofisticados arranjos de Hess não se limitam a recriar a sonoridade das big bands como as conhecemos. São inovadores e surpreendem-nos, encostando um par de vezes às fronteiras da avant-garde mas sem que o disco perca a sua consistência.
O Pescador recomenda.
Fred Hess Big Band
Hold On (2009)Para deixar no blog escolhi o 2º tema, For Thomas, uma homenagem de Hess a Rob McConnell. Quiçá onde o som da tradição mais se ouve no CD. Para compensar o Eternal Interlude. Muito swing, bons solos de Marc Sabatella (piano) e Al Hood (trompete). E, se fosse dançarino, não conseguiria ficar quieto.