O Rio Ocreza nasce na Serra da Gardunha e desagua na margem direita do Rio Tejo, imediatamente a jusante da Barragem de Fratel.
As suas águas são primeiro represadas pela Barragem do Penedo Redondo, junto a Casal da Serra. Depois pela Barragem de Santa Águeda, aka Marateca, nas proximidades de Lardosa, antes de uma última retenção pela Barragem da Pracana, junto a Gardete, já nas proximidades da sua foz.

Barragem do Penedo Redondo

Barragem da Marateca
A Barragem da Marateca abastece de água grande parte do concelho de Castelo Branco e, a menos que as chuvas sejam intensas, não tem por hábito realizar descargas. Assim, não fossem os afluentes e o rio padeceria de fortes securas.
O primeiro afluente de importância que o alimenta a jusante da Marateca surge-nos um pouco acima da Ponte de Sarzedas. É o Rio Tripeiro que também nos chega da Serra da Gardunha, lá para as bandas de Rochas de Cima.
O bem que o Tripeiro faz com as suas límpidas águas estraga-o a Ribeira da Líria quando, junto a Benquerenças de Baixo, traz para o Ocreza uma boa dose da poluição gerada por pecuárias, explorações agrícolas e outros.

Rio Tripeiro e a Praia do Muro

Rio Tripeiro

Azenha no Rio Ocreza (Taberna Seca)
Mais abaixo o contributo das águas das ribeiras de Alvito, Fróia e Sarzedinha, para a renovação do rio é notável. Águas serranas, frias e cristalinas, que na estação das chuvas fazem do troço corrente do Ocreza um bom habitat para barbos e bogas.

Ribeira de Fróia em Sobral Fernando

Ribeira de Alvito (Estrada 233)
E que espécies piscícolas podemos encontrar no Ocreza?
As espécies autóctones do rio com interesse para a pesca desportiva, e que o continuam a povoar, são o barbo e a boga, o bordalo e o escalo. Estes dois últimos já escasseiam. Porque são peixes lentos e crédulos, presas fáceis para os predadores e para o pescador de fim-de-semana. E porque o declínio da qualidade do habitat e a expansão de espécies não indígenas são realidades bem visíveis.

Escalo
Os emigrantes há muito que chegaram a estas paragens.
As carpas já adquiriram nacionalidade portuguesa. Arrisco dizer que o aumento exponencial desta população ocorreu com a reactivação da Barragem da Pracana.
Os achigãs têm visto de residência vitalício. O lagostim vermelho de Louisiana e a perca-sol também já se instalaram. Já começamos a ouvir falar do peixe-gato e um destes dias será a vez do lucioperca. E as nuvens de alburnos são um tormento para o pescador dos únicos e deliciosos barbos do Ocreza.

Perca-sol

Peixe-gato
De facto nestes últimos anos o rio sofreu profundas modificações. Pessoalmente, e como pescador, digo que a introdução do alburno é a que mais me afecta. A pesca tradicional do barbo e da boga, e ocasionalmente de um par de carpas, ficou comprometida e obriga à escolha criteriosa de épocas, locais e iscos de pesca.

Alburno
Já referi em posts anteriores outros dois factos que interferem negativamente na vida do rio.
As praias fluviais que, em Taberna Seca e em Rodeios, impedem a subida do peixe na época de desova, e cuja má concepção promove o assoreamento de extensões significativas do leito do rio.
A pesca à rede na Barragem da Pracana. Não é justificável a criação de uma zona especial para pesca profissional. A albufeira é de pequena dimensão e duvido muito que as regras definidas para a prática da pesca sejam cumpridas. Para o pescador desportivo é flagrante o decréscimo nas capturas de um dia de pesca.

Barragem da Pracana (via Carepa)

Aldeia de Padrão, junto à Pracana

Barragem da Pracana
Na 2ª parte deste post irei referir alguns locais de pesca e técnicas que utilizo no troço de água corrente do Ocreza e na Barragem da Pracana.
Pelas grandes diferenças na morfologia do terreno e na fauna piscícola, a Barragem da Marateca será objecto de um post específico.
Quanto à Barragem do Penedo Redondo… Não sei que dizer! É de muito pequena dimensão e desconheço que espécies poderá albergar. As vezes que a visitei não me despertaram interesse piscatório.
Fotos: O Pescador